domingo, 21 de março de 2010

Você acha Heidegger complexo? Por que?

Hoje convido vocês  a refletirem sobre Heidegger, ou melhor, sobre a complexidade dos textos de Heidegger. Outro dia, após assistir uma aula de Doutorado, reunimo-nos como de costume e surgiu a seguinte expressão: "Aí maluco, esse Heidegger é maluco mesmo! Porra de texto mais difícil!". Essa frase, em conjunto com os comentários que se sucederam levou-me a refletir seriamente sobre a "dificuldade" dos textos de Heidegger. O texto debatido em sala de aula era "A coisa". Utilizavamos, na sala, o texto em alemão, uma tradução espanhola, uma francesa e outra do português brasileiro. Entao resolvi elaborar um breve comentário que envolvia uma analise sobre "A coisa" ao mesmo tempo que observava o carárter de dificuldade e complexidade daquele texto. Esse comentário será publicado na Revista Saberes (www.cchla.ufrn.br/saberes). Começo da seguinte forma:  

“O texto de Heidegger é mesmo complexo”, esta foi à frase orientadora de um dos debates informais ocorrido entre alunos de uma disciplina de doutorado que envolvia a leitura e discussão sobre o texto “A coisa” de Heidegger. Mas em que consiste esse “complexo”? Acreditamos que a resposta está no texto. Nesse sentido, tentaremos encontrar essa resposta na medida em que comentamos algumas das idéias orientadoras de “A coisa”.  Desse modo, aqui não se pretende  estabelecer um estudo detalhado sobre diferenças de traduções ou de interpretações de “A coisa”, mas nosso objetivo consiste simplesmente em duas etapas: 1) apresentar as idéias que orientam o texto; 2) entender porque muitos estudantes acham esse texto complexo. 

Agora, basta esperarmos até inicio de maio a publicação da SABERES (www.cchla.ufrn.br/saberes) . Vamos dar uma olhada?! Até mais!!!

Jorge Lima

sexta-feira, 19 de março de 2010

A Filosofia Antiga

Ultimamente estamos debatendo em grupo de estudos A Carta Sétima de Platão. No debate de hoje (19/03/10) fica evidente os limites de nossas traduções. Como estudar um texto grego de tradução portuguesa? Impossível limitar-nos nas traduções. É necessário termos o texto em grego mesmo. E olha, é necessário a certeza de que esses textos em grego podem não ter sido escrito por Platão. Porém, se quisermos analisar os textos antigos temos que ser "religiosos", ou seja, temos de acreditar (ter fé) nos textos consensualmente aceitos por nossos pesquisadores e logografos como textos autenticos de Platão. Consequentemente, a outra forma de encararmos a filosofia desses textos é crer que Platão, não é um Platão histórico fora daqueles textos, mas unicamente o Platão do texto. Se há um Platão histórico, devemos enfatizar, esse é o dos textos.

Jorge Lima

Comentários de Comentários

Outro dia li um comentário de um de meus textos publicados (http://www.cchla.ufrn.br/saberes) sobre Heidegger.
Para surpresa o comentador havia publicado em seu site (http://www.netlegis.com.br/indexRJ.jsp?arquivo=detalhesArtigosPublicados.jsp&cod2=1843) alguns comentários sobre "O que é Ciência" e solicitava que eu desse um parecer. Então respondi o que realmente penso sobre o papel da ciência em nossa vida, escrevi:


Olá! Obrigado.
Se um dia você conseguir "comer" Heidegger, você deixará de ser homem no
sentido histórico que podemos atribuir a esse termo. Homem enquanto ser
que busca objetividade, clareza, universalidade mesmo dentro da
relatividade. Você deixará de ser um homem e será um homo-heidegeriano
pois partilhará do mesmo ser dele.
Li seu texto, gostei. Mas não se preocupe tanto com a "Ciência". Heidegger
apresenta uma crítica forte a esse tipo de preocupação no seu escrito "A
coisa". Se você gosta de críticas ao estilo científico sugiro que leia
esse texto. 
Suponho que a Ciência é só uma forma de mascarar a inveja que temos de um
"jumento", por exemplo, que simplismente já "é" e não tá preocupado com
nenhuma busca de ser, pois já "é".
Quando digo para não se preocupar, é porque a Ciência é o resultado do
grande projeto humano de buscar o que é o homem. E o que é o homem? O
homem é manifestação do que "não é". Assim, o grande projeto humano é
buscar o que o homem é, ou seja, é buscar a condição pura de "não ser"
absoluto. E como o homem pode alcançar sua condição mais intima de ser?
Através da Ciência, pois é pela ciência que o homem constrói o caminho em
busca de seu ser, ou seja, em busca de "não ser". Portanto, pela ciência o
homem encontrará sua plena realização. Qual realização? A realização de
encontrar seu "não ser". Porém, quando este momento acontecer na sua
plenitude, o homem não mais "será", pois, estará aniquilado de toda
existencia. A vida humana não existirá mais. Só assim, o vazio pleno
buscado incansavelmente se manifestará realizando o encontro do homem com
o que ele busca, ou seja, com seu "não ser", sua aniquilação física e
histórica.

Quanto a pergunta sobre outro texto de Heidegger, eu irei publicar no
próximo número da Saberes alguns comentários sobre "A coisa".

Grato,
Jorge Lima