Para surpresa o comentador havia publicado em seu site (http://www.netlegis.com.br/indexRJ.jsp?arquivo=detalhesArtigosPublicados.jsp&cod2=1843) alguns comentários sobre "O que é Ciência" e solicitava que eu desse um parecer. Então respondi o que realmente penso sobre o papel da ciência em nossa vida, escrevi:
Olá! Obrigado. Se um dia você conseguir "comer" Heidegger, você deixará de ser homem no sentido histórico que podemos atribuir a esse termo. Homem enquanto ser que busca objetividade, clareza, universalidade mesmo dentro da relatividade. Você deixará de ser um homem e será um homo-heidegeriano pois partilhará do mesmo ser dele. Li seu texto, gostei. Mas não se preocupe tanto com a "Ciência". Heidegger apresenta uma crítica forte a esse tipo de preocupação no seu escrito "A coisa". Se você gosta de críticas ao estilo científico sugiro que leia esse texto.
Suponho que a Ciência é só uma forma de mascarar a inveja que temos de um "jumento", por exemplo, que simplismente já "é" e não tá preocupado com nenhuma busca de ser, pois já "é". Quando digo para não se preocupar, é porque a Ciência é o resultado do grande projeto humano de buscar o que é o homem. E o que é o homem? O homem é manifestação do que "não é". Assim, o grande projeto humano é buscar o que o homem é, ou seja, é buscar a condição pura de "não ser" absoluto. E como o homem pode alcançar sua condição mais intima de ser? Através da Ciência, pois é pela ciência que o homem constrói o caminho em busca de seu ser, ou seja, em busca de "não ser". Portanto, pela ciência o homem encontrará sua plena realização. Qual realização? A realização de encontrar seu "não ser". Porém, quando este momento acontecer na sua plenitude, o homem não mais "será", pois, estará aniquilado de toda existencia. A vida humana não existirá mais. Só assim, o vazio pleno buscado incansavelmente se manifestará realizando o encontro do homem com o que ele busca, ou seja, com seu "não ser", sua aniquilação física e histórica. Quanto a pergunta sobre outro texto de Heidegger, eu irei publicar no próximo número da Saberes alguns comentários sobre "A coisa". Grato, Jorge Lima

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