sexta-feira, 19 de março de 2010

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Outro dia li um comentário de um de meus textos publicados (http://www.cchla.ufrn.br/saberes) sobre Heidegger.
Para surpresa o comentador havia publicado em seu site (http://www.netlegis.com.br/indexRJ.jsp?arquivo=detalhesArtigosPublicados.jsp&cod2=1843) alguns comentários sobre "O que é Ciência" e solicitava que eu desse um parecer. Então respondi o que realmente penso sobre o papel da ciência em nossa vida, escrevi:


Olá! Obrigado.
Se um dia você conseguir "comer" Heidegger, você deixará de ser homem no
sentido histórico que podemos atribuir a esse termo. Homem enquanto ser
que busca objetividade, clareza, universalidade mesmo dentro da
relatividade. Você deixará de ser um homem e será um homo-heidegeriano
pois partilhará do mesmo ser dele.
Li seu texto, gostei. Mas não se preocupe tanto com a "Ciência". Heidegger
apresenta uma crítica forte a esse tipo de preocupação no seu escrito "A
coisa". Se você gosta de críticas ao estilo científico sugiro que leia
esse texto. 
Suponho que a Ciência é só uma forma de mascarar a inveja que temos de um
"jumento", por exemplo, que simplismente já "é" e não tá preocupado com
nenhuma busca de ser, pois já "é".
Quando digo para não se preocupar, é porque a Ciência é o resultado do
grande projeto humano de buscar o que é o homem. E o que é o homem? O
homem é manifestação do que "não é". Assim, o grande projeto humano é
buscar o que o homem é, ou seja, é buscar a condição pura de "não ser"
absoluto. E como o homem pode alcançar sua condição mais intima de ser?
Através da Ciência, pois é pela ciência que o homem constrói o caminho em
busca de seu ser, ou seja, em busca de "não ser". Portanto, pela ciência o
homem encontrará sua plena realização. Qual realização? A realização de
encontrar seu "não ser". Porém, quando este momento acontecer na sua
plenitude, o homem não mais "será", pois, estará aniquilado de toda
existencia. A vida humana não existirá mais. Só assim, o vazio pleno
buscado incansavelmente se manifestará realizando o encontro do homem com
o que ele busca, ou seja, com seu "não ser", sua aniquilação física e
histórica.

Quanto a pergunta sobre outro texto de Heidegger, eu irei publicar no
próximo número da Saberes alguns comentários sobre "A coisa".

Grato,
Jorge Lima

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